Instituto Avalanche · aula aberta
Aula completa · CLAUDE.md e Opus 5

Ablação: reescreva seu CLAUDE.md para o Opus 5

O método que a Anthropic usa no próprio system prompt, aplicado ao seu arquivo de instruções: apagar tudo, usar de verdade por uma semana e trazer de volta só o que provar que faz falta. A aula traz os oito passos executáveis, o critério binário de devolução, a lista fechada do que nunca se apaga, e a auditoria completa de um arquivo real de 498 linhas que virou 108. No fim, o mapa em markdown baixa pronto para colar no Claude Code e rodar a auditoria na sua máquina.

O que você vai fazer

Apagar as instruções que envelheceram, sem perder as que sustentam o seu negócio

Todo arquivo de instruções cresce por acúmulo. Você escreve uma regra porque o modelo errou, o modelo melhora, a regra fica. Doze meses depois metade do arquivo corrige defeitos que não existem mais, e o custo é pago em toda sessão, para sempre. Esta aula ensina o procedimento que resolve isso sem chute: ablação, o mesmo nome que a pesquisa dá para apagar um componente e medir o impacto da ausência.

O arquivo que manda economizar contexto custa 10.482 tokens sozinho.

Esse número é do nosso próprio CLAUDE.md, medido antes de escrever esta aula. Ele carrega, escrita por nós, a frase "aproximadamente 4k tokens de boot, não 15k", e custa mais que o dobro do que ele mesmo prega, antes de qualquer skill, hook ou primeira mensagem. O cobaia desta aula é a nossa casa, e cada número que você vai ler foi medido, não estimado.
medido número que rodamos aqui e conferimos fabricante declaração da Anthropic sobre si mesma não testado tem prova estática, falta runtime

Essa marcação aparece ao longo da aula toda. Ela existe porque boa parte do que se repete sobre o assunto embrulha os três níveis num pacote só, e o leitor não consegue saber o que foi verificado e o que foi repetido.

A fonteA palestra que originou esta aulaVídeo

Boris Cherny: Stop Hobbling Your AI

Boris Cherny, criador do Claude Code, no Y Combinator.

Ver o vídeo original no YouTube
A aulaDo diagnóstico ao arquivo novo01·08
Bloco 1

A ironia que se mede sozinha

O teto oficial é de 200 linhas por arquivo. O nosso tinha 498, e a primeira coisa que ele manda fazer é economizar contexto. Começar pelo número muda a conversa.

Objetivo: trocar a discussão de opinião por medição, e fixar o contrato da aula antes de qualquer conselho.

O número de partida

O CLAUDE.md do nosso projeto tinha 498 linhas e cerca de 9.692 tokens. Somado ao arquivo de usuário, dá 10.482 tokens carregados em toda sessão, antes de qualquer skill, hook, busca ou primeira mensagem do dono. A contagem saiu de um tokenizador real; como não é o tokenizador do Claude, trate como ordem de grandeza, não como número exato.

O teto que a doc recomenda

A documentação oficial de memória do Claude Code pede, textualmente, "target under 200 lines per CLAUDE.md file", e explica o motivo: arquivo mais longo consome mais contexto e reduz a adesão às instruções. Estávamos em 2,5 vezes o teto. Ninguém escreveu 498 linhas de uma vez; elas se acumularam.

A ironia, que é o melhor argumento

Dentro dessas 498 linhas existe uma escrita nossa que diz para economizar contexto no boot. O arquivo que prega economia é o maior gasto fixo do sistema. Isso não é piada interna: é o padrão de falha mais comum, porque a regra sobre contexto é a que menos alguém pensa em revisar.

O contrato desta aula

Nada aqui é opinião. Toda afirmação vem marcada como medida por nós, declaração do fabricante ou não testada. O caso auditado é o nosso, com o arquivo real, e o número final aparece no bloco 8. Se você quiser conferir, os comandos estão na aula e o mapa no fim faz a auditoria na sua máquina.

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Bloco 2

O que mudou no Opus 5, e o que a Anthropic não disse

Três declarações fortes do fabricante, e a ressalva honesta que nenhuma delas cobre: não existe lista oficial dizendo quais instruções ficaram desnecessárias.

Objetivo: separar o que o fabricante afirmou do que ele provou, e mostrar por que a lista que todo mundo procura não existe.

As três declarações

Na conversa da Y Combinator Startup School em 27/07/2026, Boris Cherny, criador do Claude Code, afirma que apagaram mais de 80% do system prompt do produto no lançamento do Opus 5 (por volta de 03:13 do vídeo); que boa parte do que estava lá corrigia comportamentos que o modelo deveria saber e não sabia, e que agora o modelo simplesmente faz (04:20); e que existe um modo mínimo, usado internamente como ablação, em que o system prompt inteiro sai. Sobre esse modo ele diz que "the model is actually a little bit more intelligent without these prompts" (04:44). As três são declaração do fabricante: não temos acesso ao system prompt interno deles para auditar.

A qualificação que vem logo depois

Ele mesmo relativiza em seguida (por volta de 05:11): quando o Claude Code é usado como produto, alguns desses prompts são desejáveis, porque fazem o produto se comportar do jeito que uma pessoa espera. A leitura correta é dupla. Prompt mínimo maximiza inteligência bruta; prompt de produto maximiza previsibilidade. Nem sempre você quer o primeiro.

O que ele descreve como capacidade nova

Ainda como declaração do fabricante: que o modelo roda por períodos longos sem parar, dispensando andaime (01:27); que a combinação de alinhamento, classificador de injeção de prompt em todo o tráfego e classificador do modo automático deixou a injeção de prompt indemonstrável para eles (02:29 a 03:13); e o caso do runtime Bun reescrito de Zig para Rust, um prompt com condução humana, onze dias rodando, hoje em produção (17:09 a 18:09).

A ressalva que constrói a autoridade desta aula

Procuramos e não existe lista oficial da Anthropic dizendo quais instruções ficaram desnecessárias. Lemos o anúncio do Opus 5 e ele fala de julgamento, verificação e trabalho longo, mas não menciona adesão a instruções, resistência a injeção de prompt nem "precisar de menos instrução". Portanto o que esta aula entrega não é a lista deles. É o método de você descobrir a sua, no seu repositório, com medição própria. É menos confortável e muito mais útil.

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Bloco 3

Por que instrução envelhece

O mecanismo, não a moral: remendo escrito para um defeito que sumiu vira peso morto, e CLAUDE.md é contexto, não configuração.

Objetivo: entender por que a instrução perde valor sozinha, e por que arquivo grande derruba a obediência em vez de aumentá-la.

O mecanismo do envelhecimento

Cada geração de modelo é bastante diferente da anterior. O que você escreveu para um modelo três meses atrás pode simplesmente não se traduzir para o próximo, e é por isso que o harness do Claude Code muda tanto a cada lançamento, com prompt e ferramentas sendo apagados e reescritos (por volta de 03:37 a 04:20). Instrução escrita para remendar defeito é remendo: quando o furo fecha, o remendo continua colado, cobrando espaço.

CLAUDE.md é contexto, não configuração

A doc oficial de memória é direta nesse ponto: o conteúdo é tratado como contexto e não como configuração imposta, e é entregue como mensagem de usuário depois do system prompt. Consequência prática: instrução escrita ali não tem garantia de cumprimento. Para bloquear uma ação independentemente do que o modelo decidir, a saída indicada é hook, não texto.

Regra que contradiz regra quebra as duas

A mesma doc avisa que, quando duas regras se contradizem, o modelo pode escolher uma arbitrariamente. Arquivo que cresceu por acúmulo quase sempre tem contradição escondida, porque a regra nova foi escrita sem ninguém reler a antiga. Revisar periodicamente para remover instrução desatualizada ou conflitante é recomendação oficial, não preferência nossa.

O diagnóstico invertido, que é o mais útil

Se o modelo insiste em fazer algo que você proibiu por escrito, o reflexo é reescrever a regra em maiúsculas. A doc de boas práticas diz o contrário: nesse caso o arquivo provavelmente está longo demais e a regra está se perdendo no ruído. O remédio é encurtar o arquivo, não gritar mais alto.

A ressalva que some quando a frase é repetida solta

A recomendação de apagar tudo a cada seis meses veio com uma condicional na frente, endereçada a quem usa o Claude Code, e não a quem constrói produto agêntico em cima da API (06:37 a 07:03). O método é o mesmo para os dois; a cadência e a rede de proteção não são. Quem usa apaga o arquivo e no pior caso perde uma tarde. Quem constrói produto apaga o system prompt e pode quebrar comportamento em produção para clientes reais, então ali a ablação vai atrás de eval e chave de funcionalidade.

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Bloco 4

O método da ablação, passo a passo

Oito passos executáveis por quem nunca ouviu a palavra, começando pelo que ninguém lembra: conferir a versão do CLI antes de apagar qualquer coisa.

Objetivo: sair da teoria e rodar. Cada passo abaixo tem um comando ou um critério concreto, e nenhum depende de você adivinhar nada.

  • 0Atualize e confirme o modelo. Rode claude update e claude --version. Confira na doc de configuração de modelo o piso de versão do modelo que você quer usar. Apagar a muleta enquanto ainda se roda o modelo velho é o pior dos dois mundos: perde a instrução e não ganha a capacidade.
  • 1Backup que desfaz em dez segundos. Commit de checkpoint no git mais uma cópia datada do arquivo. Anote a contagem de linhas: é o seu "antes". Sem git, a cópia sozinha basta.
  • 2Rode sem nada. Use as flags do bloco de comandos abaixo. Não é preciso deletar arquivo nenhum para o primeiro teste, e é isso que derruba a barreira psicológica que faz a maioria nunca começar.
  • 3Use de verdade. Uma semana normal, no seu repositório, com as suas tarefas. Não tente prever de qual instrução vai sentir falta, porque a previsão erra. O próprio Boris insiste nisso: primeiro apagar, depois usar, e só então trazer de volta (07:25 a 08:04).
  • 4Anote os tropeços fora do arquivo. Um tropecos.md, uma linha por ocorrência, com data. Enquanto não está escrito, a memória infla: um erro que irritou uma vez parece sistêmico e não é.
  • 5Aplique o critério de devolução. Está inteiro no bloco 5 e no mapa. Em uma frase: duas ou mais vezes, em sessões diferentes, com prompt razoável.
  • 6Devolva no lugar certo. Nem tudo que volta volta para o CLAUDE.md. As três saídas estão no bloco 6.
  • 7Meça. Linhas, tokens, tropeços por semana e adesão das três regras que mais importam para você. Sem isso você está contando história, não fazendo ablação.
>_Os comandos do passo 2
claude --version      # confira o piso de versao do modelo que voce quer usar

claude --bare         # modo minimo: sem CLAUDE.md, sem hooks, sem auto memory
                      # e a porta oficial: o proprio --help diz que ele seta CLAUDE_CODE_SIMPLE=1

claude --safe-mode    # sem nenhuma customizacao: skills, plugins, MCP, comandos,
                      # agentes e output styles tambem saem

CLAUDE_CODE_DISABLE_CLAUDE_MDS=1 claude   # mantem o resto, desliga so a memoria
Nenhum destes comandos apaga arquivo. Eles desligam o carregamento, e você volta ao normal fechando a sessão.
A correção que esta aula faz

É comum ouvir que o modo mínimo só existe como variável de ambiente obscura e não documentada. Fomos conferir no binário instalado nesta máquina: a string do modo simples aparece 19 vezes, e o próprio texto de ajuda declara que --bare seta essa variável e pula hooks, LSP, sincronia de plugin, auto memória e a descoberta automática de CLAUDE.md. Ou seja, existe porta oficial e documentada. Não testado aqui em runtime: a prova que temos é estática, do binário e do help, porque o token do CLI deste servidor estava expirado no dia da apuração.

O teste de uma linha só

A doc de boas práticas resume a ablação inteira em uma pergunta por linha do arquivo: "Would removing this cause Claude to make mistakes? If not, cut it." Se a resposta for não, corte. E ela nomeia o modo de falha oposto, o arquivo superespecificado, onde o modelo ignora metade porque a regra importante se perdeu no ruído.

Boxe: por que o eval não te salva disso

Existe um consolo comum, o de que o prompt é descartável mas o eval é eterno. Na mesma conversa, perguntado sobre o que permanece estável entre modelos, ele responde que o eval sobrevive ao harness um pouco, mas não muito: talvez uma, duas ou três gerações de modelo, e depois satura e é jogado fora (09:25 a 10:12). Se nem o eval dura, a ideia de escrever o arquivo de instruções uma vez e nunca mais revisar não se sustenta. A ablação vira manutenção periódica, não faxina única.

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Bloco 5

O erro de especificar demais

O modo de falha mais comum hoje, e o mais barato de corrigir: trocar a escada de passos por tarefa, guardrails e critério de saída.

Objetivo: reescrever a instrução no formato da geração nova, que é mais curto e produz resultado melhor.

O erro, descrito na fonte

O erro mais comum que ele diz ver é a pessoa dar instrução específica demais: faça isso, mas faça deste jeito, e deste, e deste, primeiro 1, depois 2, depois 3, depois 4 (14:50 a 15:11). Para modelos modernos esse não é o caminho. E ele aponta de onde vem o hábito: engenheiro com muitos anos de carreira tende a tentar fazer o modelo executar a tarefa exatamente do jeito que ele mesmo faria (23:58 a 24:24).

A tríade que substitui a escada

O formato que ele prescreve tem exatamente três partes: descreva a tarefa, descreva os guardrails, descreva o critério de saída. Depois disso, deixe o modelo trabalhar e volte depois. A doc de configuração de modelo diz o mesmo com outras palavras, ao orientar que se entregue o resultado desejado em vez do caminho, e que se dê problema ambíguo, do tipo investigação de causa raiz e decisão de arquitetura.

Uma categoria inteira que a doc manda apagar

A mesma página é explícita ao dizer que os lembretes de verificação podem ser pulados, porque o modelo confere o próprio trabalho com menos incentivo e esses lembretes costumam ser desnecessários. É raro a documentação de um fabricante mandar você apagar um tipo específico de regra. Aproveite: no seu arquivo, procure todo "não esqueça de testar", "confira antes de dizer que acabou" e "rode o lint depois". Esses são os primeiros candidatos.

Jeito antigo

A escada de passos

"Leia o arquivo. Depois liste as funções. Depois escreva o teste. Depois rode. Depois corrija o que falhar. Não esqueça de rodar o teste no fim."

Jeito novo

Tarefa, guardrail, saída

"Cubra auth.ts com teste. Não mexa em código de produção. Pronto quando npm test passar limpo."

Leitura do par: a versão da direita é mais curta, não menciona nenhum passo, e ainda assim é mais restritiva onde importa, porque proíbe explicitamente o que não pode ser tocado e define quando o trabalho acabou.

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Bloco 6

Onde devolver cada regra

O bloco que transforma "apague" em "reorganize". Três perguntas em ordem decidem se a regra vira hook, skill, rule com escopo ou volta para o arquivo.

Objetivo: nunca perder uma regra boa por causa da faxina. Quase nada precisa ser deletado; quase tudo precisa mudar de lugar.

  • 1Precisa acontecer sempre, sem exceção? Então é hook. Hook é determinístico e dirigido a evento; instrução em CLAUDE.md é apenas indicativa. "Rode o lint antes de commitar" nunca deveria ter sido texto.
  • 2É procedimento de vários passos, ou só vale às vezes? Então é skill. A doc é literal ao dizer que uma seção de CLAUDE.md que virou procedimento em vez de fato deve virar skill, e que o corpo da skill só carrega quando é usada, então material longo custa quase nada até ser necessário.
  • 3Só vale em parte do repositório? Então é rule com escopo de caminho, em .claude/rules/ com paths: no frontmatter. Sem paths ela carrega sempre; com paths ela só entra quando o Claude toca um arquivo que casa com o glob.
  • 4Sobrou fato curto que vale em toda sessão? Aí sim, CLAUDE.md. Escreva concreto e verificável: "use indentação de 2 espaços" funciona, "formate o código direito" não.
Armadilha 1: quebrar em imports não emagrece

Muita gente divide o arquivo grande em vários pedaços com import por caminho e acha que resolveu. A doc avisa que isso ajuda a organizar mas não reduz contexto, porque os arquivos importados carregam no lançamento do mesmo jeito. O total pago continua idêntico, agora espalhado.

Armadilha 2 (a favor): comentário HTML custa zero

Comentário de bloco em HTML dentro do CLAUDE.md é removido antes de o conteúdo entrar no contexto. Isso resolve o dilema de perder a memória do porquê: a nota de manutenção, a data e a razão histórica de a regra existir viram comentário e param de custar token, sem sumir do arquivo para quem for ler amanhã.

A hierarquia que decide o que carrega

Vale saber onde cada arquivo entra, porque tudo é concatenado e nada é sobrescrito: política gerenciada da máquina, depois o arquivo de usuário em ~/.claude/CLAUDE.md, depois o do projeto, depois o local do projeto. Arquivos em diretórios acima do diretório atual carregam inteiros no boot; os que estão em subdiretórios carregam sob demanda, quando o Claude lê algo lá dentro. Conteúdo repetido entre o de usuário e o de projeto é pago duas vezes, em toda sessão.

O que o produto já aprende sozinho

A memória automática grava notas do próprio Claude por projeto, com um índice, e vem ligada por padrão. Parte do que as pessoas ainda escrevem à mão ("lembra que o build é assim", "o teste precisa do Redis local") o produto já registra sozinho. Uma pegadinha vale o aviso: só o começo do índice carrega por sessão, então índice inchado perde memória em silêncio. No nosso servidor o índice estava em 54,4KB contra um limite de 24,4KB, com aviso explícito de que só parte foi carregada. Medido aqui.

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Bloco 7

O que NUNCA apagar

Seis categorias fechadas, unidas por um critério só: o modelo não tem como descobrir isso sozinho, por mais inteligente que fique.

Objetivo: proteger o que a ablação não pode tocar, para a faxina não virar prejuízo.

Categoria 1
Segurança e limites de dano

Quem pode mandar instrução, o que exige aprovação humana, o que nunca sai do servidor, o que é irreversível, política contra tentativa de troca de persona. Modelo melhor reduz acidente; não muda o fato de que ele não sabe o que é irreversível no seu negócio.

Categoria 2
Credencial e caminho

Onde vive o cofre, como se lê um segredo, IP, porta, nome de banco, caminho de script. É informação, não comportamento. Nenhuma geração de modelo adivinha a referência do seu cofre.

Categoria 3
Preferência pessoal e de marca

Tom de voz, fonte, paleta, o que o dono odeia ver, pontuação proibida. Isso é gosto, e gosto não se infere. Não existe modelo tão bom que descubra sozinho o que incomoda um cliente específico.

Categoria 4
Processo de negócio

Fluxos, papéis, quem faz o quê, quando um lead muda de estágio, qual é o protocolo de resposta. É a máquina da empresa. O modelo pode executar melhor; não pode inventar qual é.

Categoria 5
Contrato de qualidade e definição de pronto

Níveis de evidência, o que precisa de prova antes de ser declarado concluído, o que exige revisão humana. Aqui está a distinção mais fina da aula, e ela vem logo abaixo.

Categoria 6
Fato local não inferível

Nome de serviço interno, particularidade do ambiente, pegadinha conhecida, decisão arquitetural com razão histórica. É o que a doc chama de comportamento não óbvio, e é exatamente o que ela manda manter no arquivo.

A distinção mais fina, e a mais fácil de errar

Tirar o lembrete "rode o teste" é razoável, porque isso corrigia um defeito do modelo, e a própria doc do modelo novo diz que esses lembretes ficaram desnecessários. Tirar "só diga concluído com prova" não é, porque isso nunca foi correção de defeito: é contrato com o cliente. Os dois parecem a mesma família de regra e não são. Um é remendo técnico, o outro é padrão de aceitação, e padrão de aceitação continua sendo seu.

A regra de bolso

Se a instrução existe porque o modelo errava, é candidata a apagar. Se existe porque o mundo é assim, fica. Essa frase resolve a maioria dos casos duvidosos sem precisar de julgamento.

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Bloco 8

O caso real: 498 linhas viraram 108

A auditoria completa do nosso arquivo, linha a linha, com o achado que contraria a intuição: o vilão não é instrução para modelo velho, é redundância pura.

Objetivo: mostrar a auditoria inteira com número, e não só a promessa. Toda a classificação abaixo foi feita no arquivo real, com cobertura verificada por script: os intervalos somam exatamente 1 a 498, sem buraco e sem sobreposição. Medido aqui.

a · atemporal

225 linhas, 45,2%. Fica. Processo de negócio, segurança, credencial, caminho, preferência do dono, mapa de quem faz o quê.

b · modelo antigo

65 linhas, 13,1%. Candidata a remoção, com teste. Protocolo de leitura defensiva, regras de estilo copiadas do próprio fabricante, lembrete de buscar antes de afirmar.

c · redundante

161 linhas, 32,3%. Cortar ou mover. A mesma regra escrita quatro vezes, procedimento que já virou skill, mecânica de hook narrada em prosa, história de por que a regra nasceu.

d · errada

47 linhas, 9,4%. Cortar já, sem teste. Aqui a instrução parou de ser inofensiva e passou a ensinar errado.

cortável

273 linhas, 54,8% do arquivo. Mais da metade sai, e quase nada disso é perda: a maior parte muda de lugar.

O achado que contraria a intuição

A maior fatia isolada não é instrução escrita para modelo velho, que deu 13,1%. É redundância pura, com 32,3%, duas vezes e meia maior. Isso muda a leitura do conselho: o modelo novo é o gatilho da faxina, não a causa da sujeira. A sujeira veio de acúmulo, e estaria lá mesmo que nenhum modelo tivesse sido lançado. Quem corta só o que é "para modelo antigo" deixa dois terços do problema intacto.

Os seis erros de um bloco só

Um único bloco, o de scripts e tarefas agendadas, com 30 linhas, concentrava seis erros verificados um a um no sistema:

  • Um timer documentado como se fosse nosso, com o nome de um recurso interno, sendo o timer padrão do Ubuntu. Conferido com o comando que mostra a unidade e com a consulta ao pacote que a instalou.
  • Um timer documentado como rodando a cada 5 minutos, quando o real é a cada 30. Seis vezes mais lento do que o arquivo afirmava.
  • Um terceiro timer listado como ativo estando desabilitado. Não roda desde sabe-se lá quando.
  • Dois scripts listados como agendados que não estão no agendador. Um deles foi substituído por outro script, que o arquivo não menciona.
  • Um agendamento apontando para um caminho de arquivo que não existe em disco. É uma falha silenciosa diária, e o arquivo ainda reforçava o caminho errado.
  • De brinde, o agendador real tinha por volta de 26 entradas e o arquivo documentava 5, ignorando famílias inteiras de timers ativos.
A lista que encolhe a própria capacidade

Outro bloco listava as skills instaladas: quatro. O real eram 136, somando as duas pastas. O arquivo descrevia 2,9% da capacidade instalada, e isso é pior do que omitir: entregar ao modelo uma lista fechada e falsa desencoraja ativamente o uso das outras 132. Instrução velha não fica só inofensiva; ela passa a mentir.

Para onde foi cada pedaço

Nada disso virou lixo. O contrato de verificação era duplicata exata do arquivo de usuário, e ficou só lá, deixando de ser pago duas vezes. A mecânica do watchdog e do hook virou comentário HTML, custo zero. As specs de carrossel já existiam como skill. O bloco de estilo e design virou rule com escopo. A tabela de agendamento virou dois comandos, que é uma fonte de verdade que não mente. E a lista de skills saiu, porque o produto lista sozinho.

O antes e depois, medido

O arquivo de projeto saiu de 498 para 108 linhas, uma queda de 78,3%. Em tokens, de 9.692 para 1.832, queda de 81,1%. O total carregado por sessão, somando o arquivo de usuário, caiu de 10.482 para 2.622, queda de 75%. E o arquivo passou a caber com folga dentro do teto oficial de 200 linhas. Medido aqui, com o mesmo tokenizador nas duas pontas.

A coincidência que fecha a aula

A nossa poda deu 81,1%. A Anthropic afirma ter cortado mais de 80% do system prompt do Claude Code no mesmo período. Arquivos completamente diferentes, mesmo método, praticamente o mesmo número. Não é mágica: é a proporção típica entre o que você escreveu porque precisava e o que ficou porque ninguém revisou.

Nota de honestidade: esta auditoria é uma proposta, não um fato consumado. O arquivo original continua em produção enquanto o dono não aprovar linha por linha. É exatamente o comportamento que o mapa do bloco seguinte impõe ao Claude que rodar na sua máquina.

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FechoDa aula para a sua máquina09
Bloco 9 · o mapa para download

Um arquivo que faz a auditoria por você, e não escreve nada sem a sua permissão.

O que você leva daqui não é um resumo: é um documento escrito como instrução para o próprio Claude executar. Ele carrega os sete requisitos na ordem, com os comandos reais de cada um: backup datado antes de qualquer coisa, classificação de cada linha em quatro categorias com assert de cobertura, a ablação com as flags corretas, o critério binário de devolução, a lista fechada do que não se toca, as quatro medidas de antes e depois, e o relatório final.

Como usar, em três linhas. Baixe o arquivo. Abra o Claude Code dentro do projeto que você quer auditar e cole o conteúdo inteiro. Leia o relatório que ele devolver e escolha uma das três saídas que ele oferece no fim. O que o mapa não faz: ele nunca sobrescreve o seu CLAUDE.md sem aprovação escrita. O portão está dentro do texto, como instrução literal, e o comando de desfazer vem citado com o nome exato do backup que ele mesmo criou.

>_A frase que aciona o mapa
Rode a auditoria do meu CLAUDE.md seguindo o mapa abaixo, do requisito 1 ao 7,
na ordem. Nao escreva nada no arquivo: entregue o relatorio e pare no portao
de aprovacao.

[cole aqui o conteudo do mapa-reescrita-claude-md.md]
O mapa também funciona colado sozinho, sem esta frase. Ela serve para deixar o portão explícito desde a primeira mensagem.
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O arquivo é gratuito. O cadastro é uma vez só, e depois dele o download fica liberado neste navegador.

O arquivo baixa como mapa-reescrita-claude-md.md e contém os sete requisitos com os comandos de cada um.

i O princípio que fica

Arquivo de instruções não é documentação, é custo fixo. Cada linha que você escreve vai ser lida em toda sessão futura, para sempre, e cobra o mesmo preço tendo ou não utilidade. Por isso a pergunta certa nunca foi "essa regra é boa?", e sim "se eu apagar essa linha, o modelo erra?". Se a resposta for não, ela sai. E o que sai raramente é deletado: vira hook quando precisa valer sempre, skill quando é procedimento, rule com escopo quando vale só num pedaço, e comentário quando é história.

Fontes e verificação

Apurado em 29/07/2026. Fonte primária: Boris Cherny, criador do Claude Code, em conversa no Y Combinator Startup School publicada pelo canal da Y Combinator em 27/07/2026, com 35:52 de duração (https://www.youtube.com/watch?v=qyPCVqFUyDo). Todos os horários citados nesta aula são desse vídeo, conferidos na transcrição da página. Transcrição publicada também em https://www.ycrootaccess.com/p/boris-cherny-building-claude-code. Documentação oficial, lida na URL em 29/07/2026: https://code.claude.com/docs/en/memory, https://code.claude.com/docs/en/best-practices, https://code.claude.com/docs/en/skills, https://code.claude.com/docs/en/hooks, https://code.claude.com/docs/en/model-config e https://code.claude.com/docs/en/cli-reference. Anúncio do modelo: https://www.anthropic.com/news/claude-opus-5. Ressalvas honestas: os percentuais de corte do system prompt do Claude Code e a afirmação de que o modelo fica mais inteligente sem os prompts são declarações da Anthropic sobre si mesma, sem prova independente nossa; a existência da flag de modo mínimo foi conferida no binário instalado e no texto de ajuda, mas não em runtime, porque o token do CLI deste servidor estava expirado; e não existe lista oficial dizendo quais instruções ficaram desnecessárias no Opus 5, então o que esta aula entrega é o método, não a lista. Os números da auditoria (498 linhas, 10.482 tokens, 54,8% cortável, 136 skills, os seis erros do bloco de agendamento) foram medidos no nosso próprio sistema, com os comandos citados. As URLs por extenso também estão dentro do mapa em markdown.

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